Peugeot Hogar 4x4 Conceito
Texto de José Roitberg

Com a experiência vitoriosa no Mundial de Rallye acaba não sendo uma surpresa total a Peugeot aparecer com um super buggy 4x4 no Salão de Genebra. Sobre o design do bicho não há o que falar. Para quem gosta e entende que isso é um brinquedão, é simplesmente fantástico, muito superior ao que a Ford mostrou em 2002. Para quem não entende o carro é inútil e ridículo.

Infelizmente é um conceito demonstrando novas tecnologias e não deve ter chances de ser produzido. Dentro do desejo do consumidor europeu, o Hogar é a diesel. Seu ângulo de ataque é de quase 90 graus e o de saída é de 90 graus permitindo que esse carro tenha uma agilidade inusitada, nem ao menos sonhada pelos jipeiros. Muito de sua aparência remete direto aos bugres do Dakar e das corridas americanas, mas com uma releitura futurista. O estepe na parte traseira do teto reforça essa tendência.

Ainda bem que recentemente nesta coluna abordamos o esquecido e interessante Citroen 2CV 4x4 com dois motores porque o Hogar usa a mesma configuração: dois motores a diesel de montagem transversal. Sem chassi, a estrutura é em fibra de carbono em “colméia de abelhas” como nos mais avançados carros tipo Fórmula. Os motores são fixados em berços tubulares de aço.

Os motores de 4 cilindros têm 2.2 litros com 16 válvulas, duplo comando e supercharger, chegando aos 178 cv cada um. A potência total do veículo acaba ficando nos 360 cv com torque total de 81,6 kgfm – uma enormidade. Isso tudo com catalisadores e silenciosos nos escapamentos. Os radiadores ficam perto do pára-brisa para garantir o ângulo de ataque. Cada motor tem seu gerenciamento eletrônico, mas há um módulo supervisor que distribui as ordens enviadas pelo pedal do acelerador e pela alavanca de câmbio única. Há um modo de segurança se for preciso usar apenas um dos motores.

São dois tanques de diesel com 80 litros de capacidade cada um e duas caixas de câmbio comandadas eletronicamente por acionadores hidráulicos. O “câmbio” seqüencial de 6 velocidades possui comando no volante ou por alavanca no piso. A suspensão é composta por triângulos inferiores e superiores em liga leve, barras estabilizadoras e semieixos, molas e amortecedores a gás. Seu curso total é de 500 mm – 250 para cima e 250 para baixo. Os freios são a disco ventilado nas quatro rodas, com 380 mm (15 pol) de diâmetro e 6 pistões cada. As rodas de liga leve aro 21 são exclusivas, bem como os pneus Michelin.

Os dois módulos redondos no centro do painel são dois contagiros, um para cada motor. No console central, há um display por comando de toque para as múltiplas funções digitais: velocímetro, hodômetros, GPS, bússola e inclinômetro tudo em uma mesma tela. Outras funções podem ser câmeras externas com inclinômetro para facilitar manobras enroscadas; seleção de músicas armazenadas em na memória em MP3 e a última, sobre os parâmetros de funcionamento dos dois motores. Todo o conjunto ótico usa os novos leds de grande intensidade, inclusive para os faróis.

O comprimento é de 3,96 m e largura é de 2 metros, portanto não falamos de um veículo pequeno. O peso total é de 1.300 kg, chegando a uma relação peso/potência de 3,6 kg/cv. Entre o primeiro desenho de 2001 e o veículo pronto muita criatividade e coragem ficou pelo caminho...


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