Dodge e Wrangler,
nem vem que não tem

Texto e fotos de José Roitberg

Lá estava ela... Pretona, imensa. Debaixo de 8 refletores mal dava para encostar na brilhante chapa da lataria. Mas lá estava ela. Aquele sonho de consumo de superpicape americana. Uma RAM! E com chances de ser comercializada no Brasil!

Mas a Chrysler, que está numa espiral descendente, fechando fábricas e perdendo concessionários históricos e tradicionais, não diz que vem, nem diz que não vem. Apenas é um estudo de aceitação pelo público.

Nas lojas de importados em SP você pode ver e comprar um monte de Dodges Ram a gasolina: porque ninguém agüenta com seu consumo desenfreado. Mas o modelo apresentado, uma 2500, tinha um motor V8 de 5.9 litros turbo diesel com 238 cv, câmbio auto-4 e tração 4x4 part-time. Seu material de divulgação diz que ela é para 6 passageiros, mas só se alguém for na caçamba.

Os bancos dianteiros, mais ou menos individuais possuem um local, que não é um lugar, mas tem cinto abdominal para levar algum infeliz entre eles. Apenas uma criança cabe ali. Para contabilizar este lugar a mais, a alavanca de câmbio fica no volante, coisa certa, mas que o brasileiro detesta. Também, ninguém fez uma campanha publicitária mostrando sua vantagem.

 

 

Já no banco traseiro... Chega a ser engraçado como num veículo que pode ser chamado de imenso não conseguiram ter uma cabine com 5 ou 7 cm a mais de espaço interno. Para mim, os bancos são espessos demais. Tudo que falamos de bom de outras SUVs e da F-250 em termos de espaço traseiro, se pode falar de incompreensível para a grande RAM. Ela foi priorizada para 1.400 kg de carga e não para os passageiros.

 

Como ninguém vai comprar uma picape de carga com o luxo, requinte, elétricos e todas as regulagens que a Ram oferece, é bem provável que não seja importada mesmo. Ainda existem um monte de Dodges Dakota zero bala nas concessionárias restantes da marca, pois nem deu para ficar no pátio da fábrica paranaense, já vendida.

O consumidor ficou com o pé atrás e as Dakotas vão ficar descolorindo ao Sol, sem que haja sequer um movimento de oferecer descontos significativos apenas para limpar os pátios e encerrar o capítulo. Só por curiosidade, nos EUA a Ford está dando descontos para os modelos 2003... Fazer o consumidor confiar numa picape Dodge ainda maior e mais cara vai ser difícil. Mas é bom lembrar que o fechamento das fábricas no Brasil e Argentina não ocorreu por fatores de mercado, mas apenas por uma questão contábil da Daimler quando englobou a Chrysler – também foram fechadas fábricas em outros países, inclusive no Canadá.


Dodge Ram StepSide 4x4 rodagem dupla na traseria. Foto divulgação Dodge

O pior é que sem produzir no Brasil, a Chrysler perde os incentivos de importação e os preços dos Jeeps estão lá nas alturas, praticamente inviáveis. Então, o que um Wrangler fazia no Salão? Bem, segundo os diretores da empresa, mesmo sem ser oferecido no Brasil, se alguém quiser é só pedir que eles importam! Você se habilita? Mesmo havendo várias novas opções no mercado? Difícil... Comprar usado também não será simples, pois quem tem e faz trilha não vende.

Só que para 2003 o Wrangler mudou lá fora e tem uma versão que seria mais adequada ao Brasil. A primeira mudança é o abandono, finalmente, do esburacado câmbio auto-3 por um moderno – menos esburacado - auto-4 com controle eletrônico e chapa de proteção (não havia no anterior). A outra mudança é a troca do motor a gasolina de 4 cilindros e 2.5 litros pelo novo 2.4 litros, o mesmo do atual Cherokee Sport/Liberty com 145 cv (21% a mais) e 22 kgfm (13% a mais). Esse aumento foi conseguido com 4 válvulas por cilindro e cabeçote em alumínio. Mas a Chrysler nunca nos deu essa opção do 4 cilindros, nos empurrando o 4.0 de 6 cilindros, beberrão, a gasolina.

 

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